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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Inflação real na região chega a 22% em 2010

Adalberto Andrade: classe média endividada

Sabe aquela sensação de que os preços parecem subir bem mais do que a inflação divulgada pelo Governo? Pois, pelo menos na região, isso é uma realidade, e não apenas impressão de donas de casa. 

Na região que compreende as cidades de Ribeirão Preto, Orlândia, São Joaquim da Barra, Morro Agudo, Sales Oliveira, Sertãozinho e Altinópolis, a inflação foi de 22% em 2010. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mesmo período, com taxa de 5,91%, a maior desde 2004, quando o índice subiu 7,6%.

O estudo sobre a inflação real foi elaborado pelo consultor e professor Adalberto Andrade, da Cash Consultores. Para chegar ao índice, foram cruzadas informações captadas de clientes da empresa, como supermercados, lojas, farmácias, postos de combustíveis, autocenters, entre outras.

A diferença entre a inflação do IPCA e a calculada pela Cash está na base de cálculo. “O Governo mede a inflação geral, em todo o país, nivelando os índices mais baixos e os mais altos. Aqui, como a alta de preços foi uniforme em todas as cidades listadas, o índice fica muito maior”, explica. Andrade afirma, porém, que a inflação de 22% é real e mostra que os trabalhadores estão perdendo cada vez mais poder de compra.

Equívoco

O reajuste sobre o salário mínimo, que passou de R$ 510 para R$ 545, leva o trabalhador a acumular perdas. “Os dissídios coletivos são diferentes para cada categoria, mas nenhuma conseguirá equiparar-se à inflação real”, acredita o consultor.

Reflexo das perdas salariais é o acúmulo de empregos por parte dos trabalhadores. Não é raro que uma pessoa tenha um trabalho formal e, nas horas que seriam vagas, faz bico como vendedor porta a porta, segurança, professor particular etc. “Se não houver uma mudança em torno da remuneração, isso se tornará cada vez mais comum”, alerta.

Mas, se a inflação está tão alta e as pessoas precisam trabalhar mais para manter o mesmo poder de compra, por que o Brasil festeja a ampliação da classe média? Para Adalberto Andrade, trata-se de um equívoco. 

“Na verdade, a classe média e os mais pobres não estão ascendendo por conta de ganhos reais, mas devido às facilidades do crédito, apesar do custo ainda ser altíssimo no país”, resume.

Qualificação e desenvolvimento

Para fugir da ruína financeira que corre por fora de quem aposta no modelo crédito + consumo = ascensão social, é preciso antecipar-se, pensando já no futuro. Segundo Andrade, a principal arma ainda é a qualificação profissional, já que o conhecimento é o único investimento com garantias. 

“Mas não se trata de fazer uma graduação e mais nada. Hoje, a qualificação é contínua”, diz ele, que já fez duas pós-graduações, MBA e prepara-se para o mestrado.

Mas o município também tem seu papel na busca de melhores opções de trabalho e desenvolvimento econômico. Orlândia deve descobrir sua vocação econômica, focando em seus pontos positivos para direcionar investimentos – tanto do setor público quanto privado. “Temos de ser criativos e observar oportunidades diferentes de negócios, pois o modelo que seguimos se mostra incapaz de atender às necessidades”, afirma.

Novo cálculo

O IBGE estuda a utilização de um novo cálculo de inflação. Trata-se do Índice de Preço ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços antes da incidência dos impostos. O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, da Globonews, explica como seria sua utilização na economia. “É mais uma informação relevante para lidar com a economia”, afirma, em comentário no Jornal das Dez, no dia 5 de abril. Veja o vídeo aqui.