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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Evangélicos criam "central antiboatos" para Dilma

 A candidata à Presidência Dilma Roussef (na foto, com a Bíblia num culto da Assembléia de Deus) tem conseguido ampliar sua influência entre os evangélicos. Este grupo tem sido apontado justamente como alvo de uma campanha de boatos na internet, que teria como objetivo atribuir a Dilma falsas declarações sobre apoio à legalização do aborto e ao casamento entre homossexuais, entre outros.

O contra-ataque atende pelo nome de Comitê Nacional de Inteligência Pró-Dilma (CNIPD), cuja função é neutralizar e-mails apócrifos disparados indiscriminadamente na internet. Até domingo, o Comitê pretende enviar mais de 5 milhões de e-mails diários para evangélicos, apontando fatos e declarações da ex-ministra que evidenciem seus valores éticos, morais, familiares e cristãos.

Deputado eleito por São Paulo, o pastor Marco Feliciano é uma das lideranças à frente da defesa da candidata no meio evangélico. "Estive com Dilma e posso garantir que ela tem mais afinidades com os evangélicos, com pontos de vista em comum, do que José Serra", afirma, comparando-a com o candidato do PSDB.

Os 35 milhões de evangélicos brasileiros são apontados como um grupo que pode definir a eleição. É por conta da pressão exercida por eles que pontos até então relegados ao descaso no debate político, como aborto, descriminalização de drogas e adoção de crianças por homossexuais, por exemplo, entraram pauta do dia.

A campanha promovida pelo Comitê, porém, visa atingir um grupo ainda mais amplo de pessoas: os indecisos e os eleitores que admitem poder mudar sua opção por um candidato. Feliciano acredita que os evangélicos tendem a seguir orientações de seus líderes, assim como outros grupos religiosos.

"Creio que haverá uma conscientização por parte dos irmãos de que Dilma irá defender os valores cristãos e familiares como presidente", explica Marco Feliciano, segundo evangélico mais votado no país. O Comitê irá reforçar a ideia de que Dilma manterá os preceitos constitucionais de liberdade de culto, um dos maiores temores dos protestantes.

 
O texto acima escrevi a pedido do pastor Marco Feliciano para publicação em seu site e divulgação na mídia. Com sua permisssão, posto aqui também, e creio haver relação com o artigo abaixo.

De política e religião

Serra e Dilma: "caminho da verdade" leva ao Planalto?
Os evangélicos, quem diria, estão ditando a pauta de debates entre os candidatos à Presidência da República, Dilma Roussef e José Serra. Aborto, casamento gay, descrminalização de drogas, entre outros pontos, agora são discutidos como "diferenciais" em plataforma de governo. Convenhamos, porém, não estamos nos Estados Unidos ou em algum "welfare State" europeu, em ideias como energia limpa, preservação do meio ambiente e direito salário-desemprego de um ano são factíveis.

A "onda" Marina Silva não se deu por suas propostas - tão raquíticas quanto dos outros candidatos. Espécie de terceira via dos desapontados e desiludidos de plantão, trouxe a inexata e insustentável sensação de que um segundo turno é melhor para a democracia. Não, não é - na verdade, democrática é sua própria possibilidade constitucional. Mas, em vez de discutir políticas realmente importantes, que reduzam de fato o analfabetismo (funcional e crônico), o atraso tecnológico e a insegurança (social, econômica e política) terceiro-mundista do país, de repente eis que a campanha se torna como uma disputa na Alemanha, Suíça ou Holanda.

Hoje é dia de debate na Globo, e ainda há a edição dos "melhores momentos" nos telejornais da emissora até na tarde de domingo. Enfim, tudo pode acontecer. Mas o mais impressionante é que, após anos de maginalização social, os "crentes" são tidos como fiéis da balança na disputa eleitoral. Vinte anos atrás, soaria como piada. Mas é preciso tomar cuidado para que a piada não se torne realidade hoje. Afinal, o Estado é laico, e diretrizes religiosas não podem pautar um debate eleitoral, principalmente quando há tanto o que fazer.

Dilma e Serra, que até então estariam naquela zona cinzenta de "religiosos não-praticantes", aparecem em catedrais, junto a líderes protestantes, padres conservadores e pregando que "Jesus é o caminho." Sim, Ele é, mas não pode ser aquele que conduz um político ao Planalto. Este caminho deve ser trilhado apoiando-se em projetos debatidos pela sociedade, alicerçados em ideais democráticos, necessidades prementes da sociedade e exequibilidade.

Mês passado já rimos (de nervosismo) com um palhaço eleito deputado federal (Tiririca, pelo menos, assumia...) Que nao sejamos, agora, feitos de palhaços por uma onda que, em vez de melhorar o debate, simplesmente o tornou nebuloso. Política, religião e futebol, diz a sabedoria popular, não rendem boas discussões. Discordo; acho que são excelentes debates, desde que haja chance para ouvir idéias diferentes. Então, na hora de votar, pensemos nos próximos quatro anos, e não na Eternidade - seja ela onde queiramos passá-la.

domingo, 3 de outubro de 2010

Marco Feliciano pode ser estrela da bancada


Marco Feliciano (foto), eleito deputado federal com mais de 200 mil votos, transforma-se na estrela do movimento cristão brasileiro com a unção das urnas eleitorais. Agora, se quiser, pode tornar-se a maior liderança da bancada evangélica, ultimamente tão combalida, na Câmara. Fato é que ele, ao longo da campanha, provou ser um especialista em aglutinar apoio, principalmente nas ruas, digo, nas igrejas, a despeito das lideranças tradicionais.

Ao longo de sua carreira (e possivelmente da vida), Feliciano aprendeu a adaptar-se às circunstâncias. A origem humilde, da qual nunca se envergonhou ou mesmo tentou esconder, o levou a esperar muito da vida, baseando-se nas promessas que crê divinas. Mesmo assim, foi um dos que melhor utilizou a internet na campanha, além de lançar a Caravana Reage São Paulo. Tiro certo, afinal, lembra uma cruzada por moralidade, a qual só se consegue com a ajuda de cada um. Saiu-se melhor que Lula com sua caravana nos primeiros meses do governo FHC.

Feliciano vence disputas inclusive internas, como sair na frente de Marcelo Aguiar, que teve seu apoio na campanha vitoriosa para vereador em São Paulo. Agora, Aguiar pode se beneficiar dos votos do antigo aliado. Vence, também, Paulo Freire, pastor da Assembléia de Deus, filho do presidente da CGADB, José Wellington Bezerra da Costa, que deve terminar cerca de 50 mil votos atrás de Feliciano.

Quando decidiu fundar a Catedral do Avivamento, criou uma cisão na Assembléia de Deus – a “igreja que entende você” cresce à medida que se distancia ideológica e dogmaticamente da igreja-mãe. Depois de ter sido quase preterido pelos pastores-anciões, ante os quais ajoelhou-se literalmente para ter reconhecida sua posição de pastor. As rusgas com as lideranças ficaram ainda maiores quando lançou “Decadência – Tempo de Apostasia”, livro em que revela algumas das histórias pouco edificantes que testemunhou.

Não é segredo que trabalhei nas empresas de Marco Feliciano e tampouco que não mais estou em seu quadro de funcionários. Tal situação, porém, não impede uma análise sobre os benefícios que a região, e Orlândia em especial, podem obter com sua eleição para a Câmara. Disse-lhe, certa vez, que deveria candidatar-se ao Senado, a Casa onde melhor desempenharia seu papel. Não sei se ainda se lembra... Após este resultado das urnas, e dependendo do trabalho que fizer a partir de 2011, a idéia já não parece tão estapafúrdia.

Orlândia contribuiu com 1% dos votos que Feliciano obteve. Não é muito, pelo contrário. A cidade raramente perdoa o sucesso (para lembrar Tom Jobim, que dizia ser o “sucesso uma ofensa pessoal” no Brasil). As sociedades face a face, como a nossa, tendem a intensificar as relações pessoais – tanto que não é raro a vida alheia estar nas rodas de amigos e não nas revistas. Muitas vezes, nem o sucesso, o dinheiro, a fama conseguem desfazer as mágoas antigas.

De qualquer forma, Marco Feliciano colocou Orlândia de novo no mapa. Como já disse, não é pouca coisa para quem começou como engraxate.

Marco Feliciano e Estevão: Orlândia no mapa político

Marco Feliciano possivelmente eleito deputado federal. Rusgas à parte, se mantiver sua relação intrínseca com Orlândia (a qual sempre evidenciou), a cidade só tem a ganhar. Mesmo que o papel de deputado federal, de modo geral, não seja tão ligado ao dia-a-dia das cidades, ele, novamente, coloca Orlândia no mapa. Nada mal para um pastor que começou engraxando sapatos... Estevão também a caminho da vitória. Apesar, até o momento, de depender do complicado coeficiente eleitoral. Mas a torcida, para ambos, é grande. No fim das contas, a esquecida Orlândia dos últimos anos vai ganhando representantes na Câmara e na Assembléia. Desta vez, vai! A Orlândia do Futuro começa a se desenhar no horizonte.

sábado, 2 de outubro de 2010

Eugênio Bucci analisa campanha presidencial

Jornalista, professor, intelectual, Eugênio Bucci faz análises pertinentes sobre a política brasileira - e não poupa ninguém na hora de manifestar suas opiniões mais que abalizadas em anos de profissão e estudos. Há alguns dias, concedeu entrevista ao Estadão falando sobre o Caso Erenice e sobre as eleições. Elucidativa e interessante. (Além de tudo, é nosso conterrâneo...)

Entrevista com Eugênio Bucci

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Humor na eleição


Danilo Gentili (foto), um dos melhores representantes da comédia nacional, apresenta show único hoje, em Brasília. O Uol topou transmitir ao vivo, por sua TV on line e em sala de bate-papo, o espetáculo. Gentili garante que o show vai falar sobre política e políticos, sem poupar quem estiver à frente ou até fora das pesquisas. A fala mansa do jornalista, que contrasta bem com sua agilidade para ver piada em tudo (e uma franqueza que já lhe rendeu safanões) são garantia de diversão. Garanta seu lugar! "Politicamente Incorreto" será apresentado no Teatro Nacional, a partir das 21h.
Serviço: http://www.uol.com.br/