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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

De política e religião

Serra e Dilma: "caminho da verdade" leva ao Planalto?
Os evangélicos, quem diria, estão ditando a pauta de debates entre os candidatos à Presidência da República, Dilma Roussef e José Serra. Aborto, casamento gay, descrminalização de drogas, entre outros pontos, agora são discutidos como "diferenciais" em plataforma de governo. Convenhamos, porém, não estamos nos Estados Unidos ou em algum "welfare State" europeu, em ideias como energia limpa, preservação do meio ambiente e direito salário-desemprego de um ano são factíveis.

A "onda" Marina Silva não se deu por suas propostas - tão raquíticas quanto dos outros candidatos. Espécie de terceira via dos desapontados e desiludidos de plantão, trouxe a inexata e insustentável sensação de que um segundo turno é melhor para a democracia. Não, não é - na verdade, democrática é sua própria possibilidade constitucional. Mas, em vez de discutir políticas realmente importantes, que reduzam de fato o analfabetismo (funcional e crônico), o atraso tecnológico e a insegurança (social, econômica e política) terceiro-mundista do país, de repente eis que a campanha se torna como uma disputa na Alemanha, Suíça ou Holanda.

Hoje é dia de debate na Globo, e ainda há a edição dos "melhores momentos" nos telejornais da emissora até na tarde de domingo. Enfim, tudo pode acontecer. Mas o mais impressionante é que, após anos de maginalização social, os "crentes" são tidos como fiéis da balança na disputa eleitoral. Vinte anos atrás, soaria como piada. Mas é preciso tomar cuidado para que a piada não se torne realidade hoje. Afinal, o Estado é laico, e diretrizes religiosas não podem pautar um debate eleitoral, principalmente quando há tanto o que fazer.

Dilma e Serra, que até então estariam naquela zona cinzenta de "religiosos não-praticantes", aparecem em catedrais, junto a líderes protestantes, padres conservadores e pregando que "Jesus é o caminho." Sim, Ele é, mas não pode ser aquele que conduz um político ao Planalto. Este caminho deve ser trilhado apoiando-se em projetos debatidos pela sociedade, alicerçados em ideais democráticos, necessidades prementes da sociedade e exequibilidade.

Mês passado já rimos (de nervosismo) com um palhaço eleito deputado federal (Tiririca, pelo menos, assumia...) Que nao sejamos, agora, feitos de palhaços por uma onda que, em vez de melhorar o debate, simplesmente o tornou nebuloso. Política, religião e futebol, diz a sabedoria popular, não rendem boas discussões. Discordo; acho que são excelentes debates, desde que haja chance para ouvir idéias diferentes. Então, na hora de votar, pensemos nos próximos quatro anos, e não na Eternidade - seja ela onde queiramos passá-la.

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