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domingo, 3 de outubro de 2010

Marco Feliciano pode ser estrela da bancada


Marco Feliciano (foto), eleito deputado federal com mais de 200 mil votos, transforma-se na estrela do movimento cristão brasileiro com a unção das urnas eleitorais. Agora, se quiser, pode tornar-se a maior liderança da bancada evangélica, ultimamente tão combalida, na Câmara. Fato é que ele, ao longo da campanha, provou ser um especialista em aglutinar apoio, principalmente nas ruas, digo, nas igrejas, a despeito das lideranças tradicionais.

Ao longo de sua carreira (e possivelmente da vida), Feliciano aprendeu a adaptar-se às circunstâncias. A origem humilde, da qual nunca se envergonhou ou mesmo tentou esconder, o levou a esperar muito da vida, baseando-se nas promessas que crê divinas. Mesmo assim, foi um dos que melhor utilizou a internet na campanha, além de lançar a Caravana Reage São Paulo. Tiro certo, afinal, lembra uma cruzada por moralidade, a qual só se consegue com a ajuda de cada um. Saiu-se melhor que Lula com sua caravana nos primeiros meses do governo FHC.

Feliciano vence disputas inclusive internas, como sair na frente de Marcelo Aguiar, que teve seu apoio na campanha vitoriosa para vereador em São Paulo. Agora, Aguiar pode se beneficiar dos votos do antigo aliado. Vence, também, Paulo Freire, pastor da Assembléia de Deus, filho do presidente da CGADB, José Wellington Bezerra da Costa, que deve terminar cerca de 50 mil votos atrás de Feliciano.

Quando decidiu fundar a Catedral do Avivamento, criou uma cisão na Assembléia de Deus – a “igreja que entende você” cresce à medida que se distancia ideológica e dogmaticamente da igreja-mãe. Depois de ter sido quase preterido pelos pastores-anciões, ante os quais ajoelhou-se literalmente para ter reconhecida sua posição de pastor. As rusgas com as lideranças ficaram ainda maiores quando lançou “Decadência – Tempo de Apostasia”, livro em que revela algumas das histórias pouco edificantes que testemunhou.

Não é segredo que trabalhei nas empresas de Marco Feliciano e tampouco que não mais estou em seu quadro de funcionários. Tal situação, porém, não impede uma análise sobre os benefícios que a região, e Orlândia em especial, podem obter com sua eleição para a Câmara. Disse-lhe, certa vez, que deveria candidatar-se ao Senado, a Casa onde melhor desempenharia seu papel. Não sei se ainda se lembra... Após este resultado das urnas, e dependendo do trabalho que fizer a partir de 2011, a idéia já não parece tão estapafúrdia.

Orlândia contribuiu com 1% dos votos que Feliciano obteve. Não é muito, pelo contrário. A cidade raramente perdoa o sucesso (para lembrar Tom Jobim, que dizia ser o “sucesso uma ofensa pessoal” no Brasil). As sociedades face a face, como a nossa, tendem a intensificar as relações pessoais – tanto que não é raro a vida alheia estar nas rodas de amigos e não nas revistas. Muitas vezes, nem o sucesso, o dinheiro, a fama conseguem desfazer as mágoas antigas.

De qualquer forma, Marco Feliciano colocou Orlândia de novo no mapa. Como já disse, não é pouca coisa para quem começou como engraxate.

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