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sábado, 6 de novembro de 2010

Biblioteca ainda sofre com má infra-estrutura

A Biblioteca Municipal Geraldo Rodrigues (foto) promete viver uma nova fase. Ainda não se pode ver por fora o que acontece, mas a promessa é de que muita coisa possa mudar. A contratação de uma bibliotecária, Juliana Alpino de Sales, traz uma visão contemporânea e, mais, profissional, que vai desde o sistema de catalogação do acervo até a reivindicação de espaços mais adequados à alocação dos livros e outras mídias, como já acontece em outras instituições públicas.

Em entrevista exclusiva ao blogue, Juliana diz que a primeira impressão que teve da biblioteca, fundada na década de 60, foi de carência de recursos, tanto humanos quanto estruturais. "Temos um acervo grande, mas os espaços são inadequados para leitura, pesquisa, atendimento, por exemplo, pois fica tudo junto", diz ela, acomodada em sua sala, que também serve de depósito e catalogação.

Um dos grandes problemas das bibliotecas públicas, conta, é que o Ministério da Educação não tem um sistema de fiscalização, como acontece no caso das pertencentes a universidades particulares. Este é um dos entraves que o Censo Nacional de Bibliotecas Públicas, realizado no ano passado, pretende resolver. Não há, por exemplo, diretrizes sobre como devem ser geridas as bibliotecas, ou mesmo a utilização de um sistema unificado de catalogação.

Juliana diz que pretende conhecer as outras bibliotecas da cidade, instaladas em escolas, para promover intercâmbio, eventualmente trocar informações ou até livros. Uma das necessidades das bibliotecas públicas, mesmo escolares, é a necessidade de um profissional, bacharel ou técnico na área. Perguntada se a Biblioteca Municipal poderia centralizar as outras da cidade, ela disse que poderia ser uma saída, mas necessário verificar a legislação municipal.

Quanto à catalogação, ela acredita que ainda vai demorar para colocar tudo em ordem. "O problema é que há três formas de catalogação do mesmo acervo, o que torna difícil até mesmo fazer um balanço. Mas estamos correndo, juntamente com os outros funcionários", afirma.

Quanto ao prédio, onde funcionou a estação ferroviária nos idos de 1910, ela conta que há necessidades urgentes. "Chovia aqui dentro, mas o telhado foi consertado e esperamos a troca do forro, assim como a instalação elétrica precisa ser renovada", aponta. Porém, ela diz contar com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, que encaminha à Prefeitura suas solicitações.

Salas especiais

O escritor e professor Geraldo Rodrigues, que empresta seu nome à biblioteca, faleceu há alguns anos. Dono de uma grande e importante coleção de livros, não se sabe o que houve com seu acervo particular. O mesmo ocorre com a biblioteca do ex-prefeito e escritor Cyro Armando Catta Preta, que faleceu este ano, cujo acervo não era menor e tampouco desimportante.

Fascinado pela Revolução Constitucionalista de 1932 e pela Semana de Arte Moderna, de 1922, a biblioteca de Cyro seria objeto de desejo de qualquer faculdade. Também não se sabe qual será seu futuro. Caso ambos não tenham se manifestado sobre que destino dar às coleções, a Prefeitura poderia obter a doação, criando salas especiais.

É o que aconteceu com o editor José Olympio, antigo proprietário da editora que leva seu nome (hoje parte do Grupo Editorial Record). Nascido em Batatais, possuía um enorme acervo particular, com mais de 3 mil volumes. Pessoalmente, escolheu e doou os livros à Bibliteca Municipal Altino Arantes e às Faculdades Claretianas de Batatais.

"É um acervo maravilhoso, mas que durante muitos anos ficou fechado, inacessível aos alunos", diz Juliana, cujo trabalho de conclusão de curso (TCC) foi elaborado a partir do acervo José Olympio nas Claretianas. O Acervo Histórico José Olympio está disponível para consulta no site da Claretiana www.claretiana.edu.br).

Pouca frequência

A Biblioteca Municipal não é um dos pontos mais frequentados de Orlândia. Apesar de possuir cerca de 10 mil volumes e ainda contar com o Acessa SP no mesmo prédio, os livros não chamam tanto a atenção. E não é por falta de boas opções (apesar de a lista de novos livros já estar pronta, só no ano que vem devem chegar). Quem não acompanha o mercado editoral, à caça dos best-sellers da "Veja", pode se surpreender com o conteúdos das prateleiras.

É claro que lá estão Nora Roberts, Dan Brown, Augusto Cury e algumas "sequências" de "O Segredo". Mas o leitor mais atento vai se deparar, por exemplo, com "Baddenheim 1939/Tzili", de Aharom Appelfield, sobrevivente do nazismo, cuja obra por ser comparada à de Elie Wiesel.

"Leite Derramado", de Chico Buarque, por exemplo, está lá, na estante reservada aos lançamentos e/ou novas edições. Vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Ficção de 2010. Há também "O Menino do Pijama Listrado", de John Boyne, que deu origem ao filme indicado ao Oscar, "Era no Tempo do Rei", Ruy Castro, "O Hóspede Perplexo", Guy Corrêa, "Acenos e Afagos", João Gilberto Noll, e uma nova edição de "Contos da Nova Cartilha", de Liev Tostói.

Laureado com o Nobel de Literatura neste ano, Mario Vargas Llosa também está presente no acervo, com . Os livros são: "Pantaleón e as Visitadoras", "Travessuras de uma Menina Má", "A Guerra do Fim do Mundo", "A Festa do Bode" e "Batismo de Fogo".

Entrevistas com Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura 2010:
http://www.youtube.com/watch?v=z3G34Ea5c-c
http://www.youtube.com/watch?v=qBb_XNNRs6g

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