Pesquisar este blog

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Consciência negra e racismo

Nem todos sabem, mas há um movimento negro em ação no Brasil desde os tempos dos quilombos - quando os escravos eram libertos e levados para comunidades onde viviam, tentando escapar das forças de repressão do Exército e dos fazendeiros. Essas raízes históricas ainda estão presentes na sociedade brasileira atual. Não somos os Estados Unidos, em que um líderes como Martin Luther King e Rosa Parks comoveram o mundo e provocaram uma revolução. Aqui, a História segue um ritmo próprio, e no século 21 debatem-se cotas raciais (ou sociais) para garantir acesso à cidadania mínima. Professora de História, Rosângela Miliossi Marques defende: "Negros e brancos devem ter oportunidades iguais, sem que um se beneficie do outro". "Vejo (os negros) como todas as pessoas com que convivo: sem diferenças sociais ou emocionais", afirma. Coordenadora do Ensino Médio da ETEC Alcídio de Souza Prado, ela não vê nas cotas uma saída para melhorar as condições sociais dos negros.

A sra. considera importante que haja um dia especial para lembrar a "consciência negra"?
Depois de tantas provas e demonstrações sobre o quão hipócrita é a sociedade no que diz respeito ao apartheid (entenda-se separação), penso que não deveria haver um dia para conscientizar àqueles que se julgam superiores. Mas, como vivemos num tempo de mudanças, se faz necessário ao menos uma recordação em favor daqueles que tanto lutaram ou mesmo trabalharam para a constituição da sociedade brasileira em toda sua formação, desde o Período Colonial até nossos dias.

Cabe, de fato, ao brasileiro, a alcunha de "homem cordial"? A partir deste ponto de vista, como poderia ser posicionado o racismo na sociedade brasileira?

Nós temos várias formas de racismo e preconceitos que não esbarram somente nos negros, como também no homem do campo, no pobre (classismo), no homossexual etc. Quando se fala em formas diferentes de adequação de vida, a sociedade nos impõe certos valores inadimissíveis como de fosse nato ao ser humano discriminar e escolher com que tipo de pessoas se deve conviver. Somos cordiais por natureza, porém, a nossa história verdadeira dá sinais de que sempre fomos xenófobos e darvinistas.

O Brasil é tido como um país em que convivem harmoniosamente todas as raças. A sra. concorda?
Como disse anteriormente, a nossa história nos condena à medida em que nos deparamos com algumas situações em que se faz apologia ao negro (do tipo "tinha que ser coisa de preto"), sendo que raça só se conhece uma: a humana, e que preto é cor. Portanto, vivemos harmoniosamente com todo tipo de pessoa quando estas não nos ameaçam, do contrário já damos sinais de preconceito.

A que credita a disparidade entre a presença dos negros na população (45% no Censo 2000) e os índices de emprego, salários, escolaridade e ascenção social? Os negros têm razão de se sentirem discriminados? Não acho que os negros deveriam requerer direitos diferenciados dos brancos. Capacidade todos têm, emprego existe para aqueles que se qualificam. Para tanto, negros e brancos devem ter oportunidades iguais, sem que um se beneficie do outro. O que falta no Brasil e no povo brasileiro, que não desiste nunca, é encarar que a educação, para que tanto lutamos, exista igualmente para a maioria e não para uma pequena parcela da população elitizada.

Que futuro imagina para Orlândia?
Espero evolução educacional em relação à profissionalização dos alunos que têm metas e eperam construir um mundo melhor para si e para os outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário