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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

“Há em Orlândia um arremedo de política”

Luciano Ribeiro, presidente da OAB-Orlândia

O advogado Luciano Ribeiro não teme explicitar suas opiniões sobre política, a sociedade ou quaisquer temas abordados. Presidente da OAB-Orlândia e apontado como uma nova liderança política, ele se tornou um defensor da candidata eleita Dilma Rousseff, para quem fez campanha informalmente na internet. A visão política de Luciano, porém, vai além de escolher entre candidatos de esquerda ou direita. Orlândia está em declínio, acredita, como resultado de uma tímida atuação da oposição. "Há pelo menos vinte anos Orlândia vem sendo administrada pelo mesmo grupo político", afirma.

O descontentamento com os rumos da cidade, porém, não o impede de sonhar com um futuro próspero. Luciano acredita que educação e cultura, principalmente, são a base para uma mudança do cenário atual. "Precisamos de novas lideranças, não de jovens políticos herdeiros de ideias antiquadas de seus idealizadores", afirma, expondo um pensamento recorrente, mas que poucas vezes se torna público - salvo conversas no happy hour.

A entrevista de Luciano Ribeiro mostra que novas formas de pensar Orlândia, como município e sociedade, são possíveis. Trata-se de um chamamento a um debate necessário para que a cidade encontre o caminho do crescimento, do desenvolvimento e da geração de emprego. Orlândia tem profissionais, ensino (FAO, Etec Alcídio), grandes empresas, infra-estrutura (água, energia elétrica, distrito industrial), capacidade de investimento e várias linhas de crédito disponiblizadas pelo Governo. Planejamento e gestão, raízes de todo projeto bem-sucedido, podem fazer a diferença.

 
O sr. foi um ardoroso defensor da candidatura de Dilma Rousseff nas redes sociais. Logo após sua vitória, surgiram mensagens de cunho discriminatório e preconceituoso contra nordestinos, apontados como os eleitores que a levaram à eleição. Como analisa essas manifestações? E, também, o recorrente "movimento separatista" de São Paulo?


Na votação geral, Dilma teve cerca de 12 milhões de votos a mais que Serra, e no Nordeste a diferença foi de quase 11 milhões. Assim, ainda que se desprezasse a votação da Região Nordeste, Dilma venceria a eleição, de modo que atribuir ao voto dos nordestinos à eleição de Dilma é um flagrante equívoco. E se estivesse correto o raciocínio, os nordestinos deveriam se orgulhar por terem conduzido à vitória a então candidata Dilma - a melhor postulante - e defenestrado do Planalto um político como o Serra. Quanto ao preconceito, só mesmo alguém muito pobre de inteligência e que seja desprovido de um mínimo de noção da realidade em que vivemos poderia ousar desqualificar alguém por ser nordestino ou por qualquer outra característica que possua. Cada eleitor vale um voto, independentemente de onde ele resida. Agora, movimento separatista de São Paulo só pode ser piada ou consequência de evidente estado patológico do indivíduo que defende uma estultícia dessas.

Quando assumiu a presidência da OAB, o sr. pretendia torná-la uma voz mais presente no cotidiano da cidade. Está sendo possível? A OAB poderia, também, atuar como fiscalizadora dos Poderes locais? 


Como eu já tive a oportunidade de dizer em outras entrevistas, a atuação mais incisiva da OAB não significa transformá-la num órgão corregedor das outras instituições da sociedade. Não é esta a pretensão e nem sequer a OAB dispõe de poder ou amparo legal para transpor o limite de suas vocações corporativas e de cidadania. A OAB., institucionalmente, não faz política partidária.
Entretanto, a lei confere à OAB a tarefa de defender a Constituição, a ordem jurídica, o Estado Democrático de Direito, os direitos humanos, a justiça social, a aplicação das leis, a rápida administração da justiça, o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. Nesta linha, a presença mais forte da OAB ocorre quando ela presta assistência judiciária, só em Orlândia, a quase 400 cidadãos por mês, sem deles nada cobrar, quando realizamos campanhas em prol dos mais carentes, quando plantamos árvores pela cidade (só em 2010 foram 100) e, acima de tudo, quando defendemos a democracia ao lutarmos pela observância das prerrogativas e liberdades dos advogados. A despeito disso, estamos atentos e elaborando projetos para uma maior visibilidade das ações da OAB em nossa sociedade. Em breve teremos a satisfação de divulgá-los.

Como analisa a política de Orlândia? O sr. acredita que a sociedade é bem representada? E os políticos, estão representado bem a comunidade? 


Falo, aqui, em meu nome e não em nome da OAB, tendo em vista a natureza da pergunta. O que há em Orlândia é um arremedo de política. Há pelo menos vinte anos Orlândia, bem ou mal, vem sendo administrada pelo mesmo grupo político. Um grupo de fazendeiros e empresários que se alternam no Executivo, exalando os eventuais vícios por ali estarem há tanto tempo. E a culpa é deles? Não, a culpa é da fragilidade da oposição, se é que ela existe, também durante todo esse tempo encabeçada pelos mesmos. O resultado é o declínio que Orlândia vem sentindo há tempos.

Que futuro imagina para Orlândia?


Quero um futuro próspero e isso não significa querer que a cidade cresça em tamanho ou população. É um engano imaginar que quanto mais a população da cidade cresce, melhor ela fica. É exatamente o contrário. Precisamos de novas lideranças, não de jovens políticos herdeiros de ideias antiquadas de seus idealizadores. Imagino um futuro promissor para Orlândia se a população se der conta disso, dessa realidade que a torna refém de si mesma. Aí poderá mudá-la, forjar uma perspectiva diferente, altaneira, vanguardista. Caso contrário permanecerá definhando. Precisamos de educação e cultura, muito mesmo. Este é o caminho.

Um comentário:

  1. Sabe amigo Luciano, esse seu desejo de que Orlandia tenha um futuro promissor deveria partir de toda a população como vc mesmo disse. A população tem um poder nas mãos que desconhece, acredito que cada Orlandino tem todas estas expectativas, mas infelizmente ainda nao tomaram consciencia disto, eu acredito que vai chegar um momento em que pensarão como voce, num geral. e ai sim, Orlandia será promissora. Vejo hoje em dia as pessoas mais ligadas ao seu mundinho pessoal, não por que elas querem, mas os fatos as obriguem a isto. Realmente voce já já é um ponto de referencia para est mudança acontecer pensando e se expondo de tal forma como fez aqui em entrevista. Parabens!

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