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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Educação na era digital

Uso da lousa eletrônica na rede pública: avanços
A Prefeitura de Orlândia iniciou a distribuição de seu Boletim Informativo, cuja periodicidade é trimestral. Trata-se de um bom trabalho gráfico, possivelmente produto da Assessoria de Imprensa, que cumpre o objetivo de informar à população sobre os atos da Administração.

O informativo mostra que a Prefeitura tem apostado em parcerias para prover à cidade obras e qualidade de vida. Um dos pontos a destacar são as 113 lousas eletrônicas instaladas nas escolas municipais, utilizadas por 7 mil estudantes. Há anos Orlândia ostenta excelentes resultados na educação, principalmente entre alunos da pré-escola.

O Brasil, novamente, se vê num momento de baixa na área de educação. Pesquisa divulgada ontem, 7, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econônimo (OCDE), aponta o país entre os três que tiveram a pior evolução educacional, numa lista de 65 nações. Assim, a utilização de novos métodos motivadores para os alunos é válida e importante para a melhoria da qualidade de ensino.

Uma das questões expostas pela pequisa, embora conhecida de todos que já puseram os pés numa escola, é a disparidade qualitativa entre a rede pública e a privada. Foram aplicados os testes do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em que os estudantes brasileiros da rede pública atingiram 387 pontos ante os 502 da rede particular. São avaliados conhecimentos em ciências, matemática e leitura de estudantes de 15 anos.

Os investimentos em educação realizados pelos municípios por conta de exigências legais (25% das receitas devem ser utilizadas na área), notadamente paulistas, podem fazer a diferença para muitos estudantes. O uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na sala de aula insere o aluno num mundo que lhe é caro e familiar.

Com o uso da tecnologia de informação e comunicação, professores e alunos têm a possibilidade de utilizar a escrita para descrever/reescrever suas idéias, comunicar-se, trocar experiências e produzir histórias”, afirma a doutora em Educação Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, professora do Programa de Pós-graduação em Educação da PUC-SP, e uma das maiores especialistas do país na questão do uso das TICs.

Novos tempos

Em artigo publicado pela PUC, Maria Elizabeth defende: “De nada adianta o saudosismo. Mudaram os tempos e as necessidades. É imperioso mudar a escola e todos nós somos sujeitos dessa mudança. Como dizia Paulo Freire, temos de ser homens e mulheres de nosso tempo e empregar todos os recursos disponíveis para promover a grande mudança que nossa escola está a exigir. Não podemos ser omissos. A neutralidade representa a aceitação da situação atual, a conivência com o que já está posto.”

O investimento da Prefeitura nos equipamentos foi de R$ 1,8 milhão, segundo informa o site oficial. “Com acesso à internet e atividades interativas, as novas lousas tornam as aulas mais dinâmica e criativas, despertando nos alunos do ensino infantil e fundamental a vontade de estudar mais e aprender melhor”, diz o Informativo.

As lousas eletrônicas foram adquiridas da empresa Quality Tecnologia e Sistemas, que também promove capacitação dos professores. A jornalista Maria Beatriz de Campos Elias, editora-executiva da Editora Moderna e mestranda do programa de pós-graduação em Educação, Artes e Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou relatório sobre uso do equipamento, ao acompanhar um professor de História de Salvador-BA.

A inserção da multimídia – e consequentemente da tecnologia – em sala de aula não é sinônimo de inovação no processo de ensino-aprendizagem”, afirma ela na conclusão do trabalho. Ela considera “obsoleta” a prática de ler textos em PowerPoint em sala de aula, pois tal prática já não funcionaria na educação. “Educar não se limita à simples transmissão de conteúdos prontos, mas exige do professor o exercício contínuo sobre a prática, em busca de estratégias eficazes de ensinar e aprender”, afirma.

Capacitação

A escola é o palco da interação entre os estudantes, os professores, a família, a sociedade. Assim, Maria Beatriz num processo de mudança e aprimoramento do processo educacional a partir do encontro entre seus participantes. “É nesse ambiente fértil que poderão florescer novas práticas e novos valores que dão significado ao projeto profissional e pessoal de construção de uma sociedade mais igualitária.”

O caminho da capacitação constante do professor é apontado como forma de manter-se na dianteira dos desafios educacionais deste século. Há diversos projetos espalhados pelo país, com acertos e avanços, contornando obstáculos e traçando trajetórias de qualidade, com diz Maria Elizabeth.

Em relação à formação de educadores recomendam que tenha foco na escola e nas necessidades específicas de desenvolvimento pessoal e profissional contínuo dos professores, bem como nas necessidades relacionadas à prática com projetos em desenvolvimento no ambiente de trabalho”, escreve.

2 comentários:

  1. Louvável essa iniciaiva. Um grande passo na melhoria do ensino, mas volto a insistir que, se não houver invetimento humana,de nada adiantará toda essa parafernália eletrônca. Não há computador ou luosa eletrônica que faça um professor mal remunerado render no trabalho.

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  2. Também considero louvável a iniciativa, mas acrescento que além de remunerar bem os professores, existe também a necessidade da formação continuada dos mesmos. De nada adianta inserir novas tecnologias no ambiente de aprendizagem se nem o professor sabe como utilizá-las ou como aproveitá-las adequadamente. Quais são as iniciativas que estão sendo propostas nesse sentido?


    Odila Bueno
    odila.bueno@globo.com
    São Paulo/SP

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