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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Incluído mantém exclusão?

Marshall Bernan: livro sobre a "capital do mundo"

A revista eletrônica Luz, produzida pela CPFL e editada por Carlos Vogt, traz na última edição um debate interessante a partir da pergunta: Quem são os incluídos do mundo contemporâneo? E convidou três pensadores, que defende seus pontos de vista a partir da vivência cotidiana e intelectual. Trata-se de um assunto importante, que resvala tanto nas relações interpessoais e do sujeito consigo mesmo, quando nesta "era digital", em que os meios de comunicação são acessíveis, mas nem sempre a comunicação ocorre de fato.


"A hiper valorização da imagem também trouxe suas consequências; ninguém corresponde ao corpo manipulado pelo photoshop, nem à vida glamorosa das propagandas de TV", diz a psicanalista Viviane Mosé. Para ela, a sociedade exige parâmetros impossíveis.

"O que resulta em uma sociedade onde todos são, de algum modo, excluídos: os muito feios, os muito bonitos, os muito pobres e também os muito ricos, os muito gordos e também os muito magros, os muito tranquilos, mas também os muito agitados, todos, indiscriminadamente sofrem algum tipo de exclusão" , afirma Mosé.

O psicanalista Otaviano Souza, da Fiocruz, levanta novas pergutas como tentativa de compreender o processo de inclusão/exclusão em que a sociedade está inserida. Ele levanta a questão: "O incluído, para se manter em um processo de inclusão, busca incluir o excluído, ou busca manter, ou ampliar, o círculo do excluído?"

"O pensamento atual e atualizante questiona as verdades, os gêneros, os terrenos do pensamento molar e fincado em raízes que pressionam um pensar, e isso vale inclusive para o conceito e conjunto de práticas no terreno do sujeito", escreve Renato Ferracini, diretor do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp. Para ele, verdades, gêneros e os terrenos do pensamento estão sendo questionados pela contemporaneidade, que considera um "borramento das bordas de delimitações".

Esta edição de Luz foca a concepção atual de gêneros, buscando a compreensão do masculino e do feminino na contemporaneidade. A revista também traz entrevista com o escritor João Silvério Trevisan sobre o papel do masculino e dos homens frente a novas forma de ver o mundo, da biotecnologia que modifica corpos, do anonimato proporcionado pela internet e mesmo da mulher chefe de familia. “O homem contemporâneo encontra-se sem chão”, avalia.

Há também uma resenha do livro “Um século em Nova York -Espetáculos em Times Square”, de Marshall Berman, em que foca a cidade, considerada a capital do mundo e suas implicações no entendimento do contemporâneo. Ele é autor de “Tudo que é Sólido Desmancha no Ar”, em que fala sobre o modernismo a partir da frase de Marx. A quem interessar, há um exemplar na Biblioteca Geraldo Rodrigues. Para quem for ficar em casa, opção de leitura leve e interessante.

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