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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Médico cria programa de prevenção à asma

O pneumologista Miguel Carlos Vitaliano
Respeitado pneumologista, Miguel Carlos Vitaliano vai além do atendimento aos pacientes no dia-a-dia do consultório. Crítico do sistema de saúde brasileiro, lamenta o desvio dos recursos da CPMF, originalmente criada para melhorar o setor. Ele acredita que Orlândia perde terreno ante a capacidade aglutinadora de outras cidades, apesar de considerar o Hospital Beneficente Santo Antonio, onde atua há mais de 25 anos, “o melhor da região”. “Faltam liderança e representatividade junto aos órgãos governamentais”, afirma.

A asma, que acomete 10% da população, ainda é ignorada por muitos dos doentes. Só em Orlândia, a estimativa é de 4 mil pessoas. A qualidade de vida é o principal objetivo do Respivida, programa que reduz o atendimento hospitalar e ambulatorial, ensinando inclusive como utilizar os aerosóis. Está previsto para 2011 o início de uma pesquisa nacional para medir o grau de conhecimento da asma na população. Vitaliano foi convidado a participar do projeto pelo médico Élcio Oliveira Vianna, do departamento de Pneumologia da USP-Ribeirão Preto.
Filiado à Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA), que representa na região, Carlucho ministra palestras sobre o assunto em diversas cidades da região. O Respivida foi aprovado pela Sociedade Paulista de Pneumologia, pela Unifesp (apresentado à médica Ana Luiza Godoy Fernandes, e responsável pela implantação desse tipo de programa no Brasil) e pelo chefe do departamento de pneumologia da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, José Henrique Santana. “Esperamos melhorar a qualidade de vida, diminuir o número de dias de falta ao trabalho e prevenir o óbito dos pacientes”, explica.
O sr. possui um programa voltado a prevenção e tratamento da asma. Como funciona e onde foi implantado? Quais resultados já foram alcançados?
Nós, da Clínica Dr. Miguel Vitaliano, desenvolvemos o programa Respivida, que tem um enfoque diferente do tratamento da asma. Originário de Toronto, no Canadá, esse programa visa à educação e à prevenção dessa doença. O paciente aprende a conhecer essa enfermidade, saber os fatores desencadeantes e como evitá-los. Aprende também a conhecer as medicações, como e quando usá-las, e seus efeitos colaterais. O que percebemos é que, embora pareça simples, a grande maioria dos asmáticos não melhora com o tratamento por não saber como manusear os dispositivos de aerosol. Por isso, através de vídeos educativos, ensinamos como proceder.
Segundo o Jornal Brasileiro de Pneumologia (julho de 2009), pessoas que participam desse tipo de programa melhoram a qualidade de vida, diminuindo as internações hospitalares, os despertares noturnos e visitas a pronto-socorro em 60%. Ou seja, num universo como o da nossa cidade, com aproximadamente 4 mil asmáticos, 2,8 mil pessoas teriam a sua qualidade de vida melhorada. Estamos trabalhando com esse programa há um ano, do qual participam aproximadamente quarenta pessoas – e apenas três delas precisaram ser internadas.

O Brasil ainda apresenta indicadores de saúde entre os mais baixos dos países em desenvolvimento, ou mesmo em comparação aos da América Latina. Como avalia essa situação? São Paulo, o Estado, e Orlândia, inseridos nesta realidade, apresentam diferenças?
Acreditamos que a melhor coisa que foi feita pela saúde nos últimos anos foi a CPMF, mas infelizmente esse dinheiro foi desviado para a área econômica. Não há investimento no setor e o gasto per capita em nosso país fica muito aquém dos países de primeiro mundo e mesmo dos países latinos. Para entender melhor a situação, basta averiguada o estado em que se encontram os hospitais públicos, com raríssimas exceções.
No Estado de São Paulo, o último concurso público para médicos foi em 1984. Eu e mais um colega daqui passamos e estaremos aposentados em breve, extinguindo-se, assim os médicos que são funcionários públicos estaduais. Além do que, somos os médicos estaduais mais mal remunerados do Brasil, perdendo até para Estados muito mais pobres, como Piauí e Rondônia.
Em Orlândia, apesar de termos o melhor hospital da região, estamos atrasados. Só para exemplificar, Ituverava tem aparelho para hemodiálise e UTI credenciados pelo SUS. Agora estão adquirindo um aparelho de ressonância magnética. Nós, realmente, ficamos para trás. Faltam liderança e representatividade junto aos órgãos governamentais que briguem pela nossa cidade e consigam trazer melhorias para cá.

Um comentário:

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