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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

“Tecnologia exige evolução profissional”

Estudar pela internet não é "molezinha": poucas escolas têm qualidade aprovada

Abaixo, entrevista com publicitário e professor Adriano Bocardo:

A modalidade EAD possibilitou a inserção de milhares de pessoas na universidade. Em contrapartida, a qualidade do ensino ainda é questionada (em 2008, 21 instituições de ensino superior tiveram nota máxima, entre 2 mil pesquisadas). Há uma discrepância entre essas informações? Hoje, só estuda quem não quer?

Cláudio Roberto, quero dizer que existem EAD e EAD: as pessoas as enxergam como iguais, porém são totalmente diferentes. Hoje a disputa por mercado fez com que várias instituições de ensino superior colocassem à disposição do público diversos cursos em EaD, mas trazem com estes cursos a falsa impressão de “molezinha”. São cursos em que o papel do orientador consiste em apenas distribuir material com conteúdo sobre vários assuntos. Conteúdo encontramos em vários lugares como bibliotecas, internet, CDs, DVDs e outros. O EAD que tem a internet como mediador traz uma característica que surgiu há pouco tempo com as ferramentas da Web 2.0, que possibilitam interatividade que facilita a comunicação tanto síncrona com assíncrona. Essas ferramentas, bem gerenciadas e com orientadores competentes, que cumprem o real papel de tutor, incentivando a troca de experiências, a reflexão. A autonomia cria alunos protagonistas da construção do conhecimento mediante cooperação e colaboração e, aí sim, temos o EAD como uma proposta realmente enriquecedora no cenário da educação, possibilitando a democratização do ensino. Os alunos que tiveram sorte de encontrar uma instituição séria, que traz um modelo pedagógico onde o aluno participa, colabora, constrói e aplica o conhecimento deve fazer parte das 21 que tiveram nota máxima.

Quanto a sua última pergunta, acredito que hoje só não estuda quem realmente não quer, mas o que não podemos confundir é o EAD e a distribuição de conteúdo. O EAD sério não faz apenas a distribuição de conteúdo e isso provoca um esforço maior do aluno, e muitos têm dificuldade em cumprir as tarefas propostas.

O ensino profissionalizante é apontado como uma das formas de o Brasil alcançar metas maiores de desenvolvimento. Como avalia as oportunidades de trabalho para técnico atualmente? Que relação traça com o ensino superior?

O mercado profissional atual exige profissionais qualificados. Temos o ensino profissionalizante como uma ferramenta que facilita a qualificação. Com a mudança contínua e evolução tecnológica, o profissional deve evoluir continuamente para se manter como produto valorizado no mercado. Assim, a flexibilidade, a qualidade e a rapidez dos cursos técnicos ajudam muito este profissional. Quanto a relação com o ensino superior, acredito que o jovem, quando faz um técnico, tende a procurar o superior que é relacionado com o que ele viu. Além disso, muitas vezes ele acaba sendo uma extensão e muitos graduados acabam buscando o técnico como uma nova qualificação e atualização.

Como avalia os estudantes do ensino fundamental que chegam à escola técnica? O que diria a quem tem duvidas sobre que carreira seguir?

Nos cursos técnicos, que são de formação média, deveríamos receber os alunos com as competências básicas exigidas já pré-adquiridas. Porém, dificilmente isso acontece e muitos desenvolvem estas competências durante o técnico. Para quem tem dúvidas sobre a carreira e tempo para experimentar, um curso técnico antes do superior dá uma noção muito boa do que ele vai enfrentar na carreira escolhida.

Qual sua opinião sobre o Enen? É a melhor forma de avaliação do aluno para entrada na universidade?

O Enem dá chances iguais para todos os alunos em qualquer lugar do Brasil, e isso é muito importante para um país de dimensões continentais. Mas, como tudo que é novo, há ainda necessidade de corrigir alguns problemas que surgem, que a mídia ilustra como monstruosos. Acredito que em pouco tempo teremos um sistema de avaliação modelo para o mundo.

Você deixou a publicidade pelas salas de aula e, hoje, é considerado um dos grandes especialistas em ensino à distância. Como foi essa troca?

Bem, a publicidade foi que me levou até à sala de aula, pois ingressei na educação há dez anos pelas portas do ensino técnico. Iniciei minhas atividades assumindo algumas aulas de marketing em uma escola particular de Orlândia, do curso técnico em administração. Em 2000, por processo seletivo, entrei na ETEC Alcídio de Souza Prado, também para aulas de administração em marketing do curso técnico em administração. Para conseguir trabalhar em sala de aula com os alunos, fui obrigado a estudar muito mais do que havia estudado em toda minha vida. Então, digo que durante este período em sala de aula, nunca abandonei a publicidade - pelo menos teoricamente, não havia abandonado.

Assumi outra função dentro da própria instituição que me “carregou” para outros caminhos, onde aprendi muito sobre gestão da educação, e com este aprendizado fui convidado para trabalhar na administração central do Centro Paula Souza, onde aperfeiçoei meus conhecimentos relacionados à educação. Mais uma vez aceitei outro desafio dentro da instituição e assumi uma coordenação relacionada ao TelecursoTEC, que nasceu de uma parceria entre o Centro Paula Souza, Fundação Roberto Marinho e Governo do Estado de São Paulo. Hoje continuo ligado ao Telecurso TEC e trabalho com avaliação de competências.

O que espera para o futuro de Orlândia?

Eu sou um eterno apaixonado pela nossa cidade e acredito que, com um pouco de boa vontade, podemos nos tornar polo e referência na educação da nossa microrregião.

2 comentários:

  1. Cláudio, a entrevista com o Adriano ficou ótima!

    Claro que eu vou puxar a sardinha para a minha experiência de vida, por muitos fatores no discurso do professor Adriano. Bem, inicialmente devo dizer que como ex-estudante do Centro Paula Souza, também na ETEc Prof. Alcídio de Souza Prado, tenho consciência de que uma formação profissional de nível médio abre uma série de portas na vida do jovem. Em junho de 2004, ainda na 3ª série do Ensino Médio (na mesma escola), concluí o curso Técnico em Informática. Hoje atuo como Técnico de Tecnologia da Informação no Campus Sertãozinho do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), graças a tal formação.
    (Abrindo um grande parênteses - o IFSP oferta cursos técnicos de nível médio, cursos superiores em tecnologia, licenciaturas, engenharias e também cursos de pós-graduação - conheça: www.ifsp.edu.br)
    Antes de ingressar em um curso superior, comecei ainda outro curso no Centro: Técnico em Química, na ETEc Pedro Badran, em São Joaquim da Barra (curso que não cheguei a concluir, em razão de aprovação em vestibular para curso superior na mesma área).
    Já com relação ao EAD, atualmente sou estudante do 6º semestre do curso de Administração, nesta modalidade. O curso, ao contrário do que muitos possam pensar, não é realmente moleza. Claro que, antes de mais nada, e em razão da necessidade de autonomia dos estudantes necessárias à modalidade em questão, também devo dizer que sou um estudante que se cobra muito.
    Fico feliz em encontrar uma entrevista tão bacana sobre estas duas problemáticas.

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  2. Excelente a entrevista com o Prof. Adriano Bocardo. Parabéns.

    Eu, particularmente, sou formada em Letras pela USP e fiz uma especialização em EaD pela PUC/SP e diversos outros cursos nessa área em outras instituições. Estudo a tecnologia de EaD desde 2002 quando tive a oportunidade de implantar essa modalidade de ensino na empresa onde trabalhava para treinar os profissionais da área comercial.

    Realmente, o fato de ser mediada pela internet não significa que seja fácil. A internet é só o meio, como disse o professor. E exige uma equipe multidisciplinar capaz de construir um curso com qualidade e ministrar com sucesso. Não só o professor autor deve existir como também o professor tutor, designer instrucional, web designer, suporte técnico, entre outros.

    Os alunos, em contrapartida, precisam desenvolver a autonomia no processo de aprendizagem. E o desenvolvimento se dá principalmente na troca, na colaboração. Na construção conjunta do conteúdo, mediada pela tutoria.

    Assim como existem faculdades de ensino presencial de má qualidade, existem também cursos de EaD que somente distribuem o conteúdo como bem disse o professor.

    Mas o desafio, ainda é diminuir o nº de desistência dos alunos.

    Odila Bueno
    São Paulo/SP
    odila.bueno@globo.com

    Escrevi um artigo sobre esse assunto há alguns anos que pode ser lido aqui:
    http://www.rh.com.br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/4945/desvendando-o-e-learning.html

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