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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Todo ser humano é um talento em potencial"

Eliana Isnidarsi e o time de basquete: 30 anos dedicados ao esporte

Professora de educação física, Eliana Isnidarsi é uma entusiasta do esporte – qualquer esporte. Ao longo de seus mais de 30 anos de carreira, mostrou aos estudantes que é possível desenvolver uma relação melhor com o esporte do que as horas que parecem se misturar ao recreio. Como professora na Unaerp, ajudou a formar levas de outros educadores, aos quais ensina mais do que as diversas disciplinas preconizam: valorizar o ser humano certamente é o mais importante. Acostumada às vitórias, já jogou basquete em São Carlos, Piracicaba e Franca, por exemplo, e também representou Orlândia em competições pelo país, inclusive como técnica. Admirada pela força e determinação, qualidades essenciais aos vitoriosos, orgulha-se de sua Orlândia e não mede esforços para vê-la no lugar mais alto do pódio.
 
A paixão pela educação pode até estar no sangue – neta da primeira professora local, Iracema Miele – mas impregna a alma, defendendo ardorosamente seus pontos de vista. Um de seus trabalhos mais marcantes foi lidar com crianças excepcionais na Apae de Orlândia, experiência que serviu de base a sua tese de mestrado, na qual demonstra os resultados positivos alcançados com o basquete no desenvolvimento motor dos alunos. Eliana, que revelou vários talentos, acredita que existem outros "Alex Garcia", o orlandino que já brilhou na NBA, escondidos por aí. "Todo ser humano é um talento em potencial, mas detectá-lo e desenvolvê-lo prescinde de mecanismos integrados que o leve ao seu ápice", afirma.

"É preciso mudar o paradigma de projetos desportivos"
O Brasil sediará os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. De modo geral, o esporte tem sua importância reconhecida no país? Como o esporte pode modificar a sociedade?

Não tem sua importância reconhecida na sociedade nem pelos governos. As pessoas não sabem, exatamente, o que o esporte pode fazer pelo cidadão. O Ministério da Educação reconhece que o desporto não é somente uma atividade física, como alguns acreditam, mas intelectual, baseado em três concepções: educacional, participativa e de rendimento. A aplicação desse tripé depende de políticas públicas direcionadas à qualidade e não somente à quantidade. É preciso mudar o paradigma de que projetos esportivos existem para cumprir somente uma função assistencial. Na verdade, o esporte, quando comprometido com a missão maior de desenvolver o ser humano, revela talentos, melhora a qualidade de vida e produz uma sociedade mais justa e solidária.

Como você analisa o esporte em Orlândia? Ele está modificando a socidade?
Cidades pequenas como a nossa, historicamente, baseiam seus eforços pelo esporte em projetos sociais, com características meramente participativas. Isso tem seu valor, claro, mas não se pode ficar preso a uma concepção diferente da realidade atual. Todo ser humano é um talento em potencial, mas detectá-lo e desenvolvê-lo prescinde de mecanismos integrados que o leve ao seu ápice. É o caso do Alex Garcia, jogador de basquete da Seleção Brasileira. Ele poderia ter continuado a bater bola por aqui, mas vimos potencial e talento e o ajudamos a crescer. Entretanto, este não pode ser um caso isolado: já descobri muita gente boa em Orlândia, mas nem todos tiveram a sorte de contar com a mesma estrutura. Precisamos de políticas e mais pessoas preparadas para descobrir e ajudar talentos que acabam se perdendo pelo tempo.

Além de Alex Garcia, quais outros talentos do esporte você destaca?

Orlândia é uma cidade privilegiada. Talvez nem todos saibam, mas já tivemos grandes times de basquete feminimo e masculino, atletismo, natação, e pessoas como Solange de Castro, Silvana Miele, Olavo Miele Filho, Aloísio Alves, Flávio Almeida Prado (basquete), Vanessa Carvalho, Luís Serafim, Oswaldo Pereira da Silva (atletismo), Bruno Baptista (natação), Yuri Bavaresco (tênis de mesa), e muitos outros, profissionais ou não, que foram referência no esporte. O time de basquete masculino, atualmente, está entre os melhores do Estado, com atletas de alto nível como Francisco Maurício, Daniel da Silva Pedro, Clodoaldo Siva, Tiago Silva, Luan Serafim... O polo, em Orlândia, é um dos melhores do mundo, não por acaso. Há uma tradição de décadas neste esporte, e os talentos são descobertos ainda na infância e desenvolvidos com apoio principalmente dos pais, como Ubajara Alves de Andrade, Jorge Diniz Junqueira, e muitos outros. O futsal é outro expoente que revela talentos. O time da Intelli, com sua infra-estrutura e profissionalismo, mostra que é possível transformar um sonho em realidade.

O que espera para as Olimpíadas no Rio? Acredita que o Brasil será hexa desta vez?

Bom, a gente torce pelo hexa, assim como os outros milhões de técnicos brasileiros. Há muitos anos o Brasil é referência em esportes coletivos, mas há um redirecionamento e investimentos em esporte individuais, como os da Petrobrás. Creio que teremos chance de medalha em natação, ginástica, atletismo, lutas, inclusive greco-romana, vôlei, futebol. Além desses, esportes em que o Brasil tradicionalmente é referência, também devem engordar o nosso quadro de medalhas, como judô e vela. Não podemos esquecer que a Paraolimpíada será em seguida, também no Rio de Janeiro, e o Brasil tem grandes chances de medalha em diversas modalidades. Outros dois esportes em que temos chance são golfe e futsal, que serão experimentais.

O caso de sucesso da Intelli, que investe no futsal, pode ser replicado em outras modalidades esportivas? Qual o caminho para isso?

Penso que sim. Orlândia tem grandes empresas que podem investir, inclusive utilizando-se de leis de incentivo fiscal, como a do ICMS no Estado de São Paulo e a do Ministério do Esporte. Por exemplo, a associação Orlândia Basquetebol Clube, uma entidade civil sem fins lucrativos, voltada para o desenvolvimento do esporte, está pronta a receber recursos mediante renúncia fiscal. Não são apenas grandes empresas que podem investir no esporte, mas também pequenas e micro, e até pessoas físicas.

Que futuro imagina para Orlândia?

Há diversas áreas que carecem de maior fomento para que tenhamos um desenvolvimento econômico e social. Necessitamos de uma visão voltada para o futuro, e ainda há tempo para isso. O esporte é importante na minha vida, sem dúvida, mas temos de pensar em tudo para termos uma cidade de que nos orgulhamos. Não se pode pensar que algo está bom, precisa ficar melhor, seja na saúde, na educação, na cultura, no meio ambiente, no trânsito... Somente pensando no todo é possível melhorar tudo.

2 comentários:

  1. Eliana como sempre um ícone a ser ostentado de elogios.
    Parabéns, por representar nós educadores físicos,futuros educadores e professores.
    Aqui fica meu singelo elogio a tão grande profissional.
    Bela entrevista!
    Abraços
    Cibele Piran.

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  2. Cara Eliana,
    A base do esporte sempre será baseada na relação entre a vida, como um meio habitat natural, e na forma com que vivamos e usufruamos dos meios oferecidos por ela.
    Como um dom. Como um talento. Como uma ação e reação.
    Entretanto, são os mestres que conhecem os atalhos. São eles que melhor orientam, criticam e fazem com que algo inusitado venha acontecer.
    No esporte isso não é diferente. Por mais que a pedra seja dura, bruta e pesada. Tenho plena certeza, que bem trabalhada e vivenciada, será a base de um alicerce que nunca terá fim.
    Um grande abraço,
    Sérgio Alexandre.

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